the UNBUILT series . a casa portuguesa M02 02F

M02 02F

contexto

Modelo com 02 pisos, inspirado no modelo tradicional da casa mediterrânea.
Este modelo é específico para integração em lotes urbanos.

conceito

A construção é simples, rápida e eficaz em termos de tempo e de custo.
Construção a seco (sem adição de água), produzida em fábrica e transportadas em peças para o local de implantação.

projeto

Terraço acessível por escadas exteriores.
Pequenas aberturas para o exterior, de modo a controlar a excessiva exposição solar.
Grande volume envidraçado que acompanha todos os pisos pelas escadas, formando uma abertura a céu aberto no pátio de entrada. Este elemento garante iluminação e passagem de ar para todos os quartos.

*

A casa portuguesa, um início, enquanto contexto ideológico de autor, uma questão basilar do como inovar pelo fazer, melhor. No limite de um serviço social formativo onde se demonstra a todos o bom, o simples, o disponível e, o atualmente nada aproveitado. Por isso também o nome sugere a identidade de cada modelo e apregoa a génese de tudo, uma casa portuguesa.

Vernáculo nunca, mas de contexto, sempre. Uma história maior do que a fronteira que determina um local e que abraça genericamente o mundo na certeza da solução adequada a uma necessidade humana: habitar. Colocar em causa o que o Homem sempre soube, o que precisou e em qualquer situação para viver e sobreviver, sem o prestígio ou a exaltação indulgente como mote. É tão simples como absorver os espaços visitados e digeri-los numa técnica de futuro, é atentar no que sabemos ser a falta de e, providenciar resposta; é fazer mais por quem nunca precisou de tanto. É perceber que dentro do nosso limite territorial existem experiências traduzidas em saber, esse sim, o mais puro vernáculo; um saber que precisamos para atingir qualquer latitude e longitude global.

the UNBUILT series . a casa portuguesa M03 02F

M03 02F

contexto

Modelo com 03 pisos, inspirado na casa tradicional portuguesa do Norte, no Minho.

Este modelo é específico para integração em meios suburbanos, permitindo a possibilidade de construção em banda ou adaptação a lote livre.

conceito

A construção é simples, rápida e eficaz em termos de tempo e de custo. 

Construção a seco (sem adição de água), produzida em fábrica e transportadas em peças para o local de implantação.

projeto

Grande envidraçado que acompanha o pé direito duplo na fachada principal e que enfatiza a entrada.

No interior, um tiro de escadas une os diferentes pisos e distribui para os diversos espaços.

*

A casa portuguesa, um início, enquanto contexto ideológico de autor, uma questão basilar do como inovar pelo fazer, melhor. No limite de um serviço social formativo onde se demonstra a todos o bom, o simples, o disponível e, o atualmente nada aproveitado. Por isso também o nome sugere a identidade de cada modelo e apregoa a génese de tudo, uma casa portuguesa.

Vernáculo nunca, mas de contexto, sempre. Uma história maior do que a fronteira que determina um local e que abraça genericamente o mundo na certeza da solução adequada a uma necessidade humana: habitar. Colocar em causa o que o Homem sempre soube, o que precisou e em qualquer situação para viver e sobreviver, sem o prestígio ou a exaltação indulgente como mote. É tão simples como absorver os espaços visitados e digeri-los numa técnica de futuro, é atentar no que sabemos ser a falta de e, providenciar resposta; é fazer mais por quem nunca precisou de tanto. É perceber que dentro do nosso limite territorial existem experiências traduzidas em saber, esse sim, o mais puro vernáculo; um saber que precisamos para atingir qualquer latitude e longitude global.

 

the UNBUILT series . a casa portuguesa M01 04F

M01 04F

contexto

Modelo com 01 piso, inspirado na casa tradicional portuguesa do Sul, no Alentejo.
Este modelo é específico para a integração em lotes de grandes dimensões.

conceito

A construção é simples, rápida e eficaz em termos de tempo e de custo.
Construção a seco (sem adição de água), produzida em fábrica e transportadas em peças para o local de implantação.

projeto

Oclusão à luz exterior, protegendo o interior da luz solar direta.
Organização interna em torno de pátios ou “pátios”.
Aberturas estrategicamente colocadas, favorecendo o contacto com a envolvente.
A única grande abertura perpetua a reminiscência das ferramentas agrícolas. Agora serve os veículos em uso.

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A casa portuguesa, um início, enquanto contexto ideológico de autor, uma questão basilar do como inovar pelo fazer, melhor. No limite de um serviço social formativo onde se demonstra a todos o bom, o simples, o disponível e, o atualmente nada aproveitado. Por isso também o nome sugere a identidade de cada modelo e apregoa a génese de tudo, uma casa portuguesa.

Vernáculo nunca, mas de contexto, sempre. Uma história maior do que a fronteira que determina um local e que abraça genericamente o mundo na certeza da solução adequada a uma necessidade humana: habitar. Colocar em causa o que o Homem sempre soube, o que precisou e em qualquer situação para viver e sobreviver, sem o prestígio ou a exaltação indulgente como mote. É tão simples como absorver os espaços visitados e digeri-los numa técnica de futuro, é atentar no que sabemos ser a falta de e, providenciar resposta; é fazer mais por quem nunca precisou de tanto. É perceber que dentro do nosso limite territorial existem experiências traduzidas em saber, esse sim, o mais puro vernáculo; um saber que precisamos para atingir qualquer latitude e longitude global.

 

the UNBUILT series . contexto da exposição

Esta exposição foi selecionada pela Ordem do Arquitetos para fazer parte da 7ª edição do roteiro dedicado à comemoração do mês da arquitetura, designado por ARQ OUT 18.

UNBUILT, não construído ou o ainda não construído?
2008 e a crise. A (des)confiança social e económica abate-se no investimento privado do cliente particular, reduzindo-o a valores irrelevantes. O estúdio, por adaptação, reposiciona o seu foco na arquitetura possível, com grandes clientes no sector corporativo e na direção de projeto para a criação e requalificação de centros empresariais, unidades industriais e de saúde privada, feiras internacionais, escritórios e algumas reformulações de pequenas frações de habitação.
A casa e o habitar, sensivelmente explorados desde 2002 em vários projetos de média e grande escala, aqui, assumem um enquadramento quase fantasioso e rumam ao universo académico, num traçado exploratório de potencial e valor como forma de captar o interesse do mercado (que outros abandonaram), numa atitude irreconhecível para o arquiteto.
De base no projeto conceptual da casa do próprio autor, em Portugal, os projetos apresentados são momentos de pura exploração sobre os modelos de habitar vernáculos, as técnicas e pressupostos construtivos, como os argumentos de uma sustentabilidade irrefutável.
Esta seleção de projetos lança a reflexão sobre o paradigma da profissão no seu acesso e dependência à encomenda, bem como na criação de oportunidade comercial a partir da rentabilização da investigação científica sem financiamento.
Devido ao interesse integrado do estúdio em arquitetura, produto, design gráfico e web design, os pressupostos nativos das formas de comunicar projeto são intencionalmente questionados: o teor da exposição eleva o conteúdo formal desde as bases que marcam o autor, nos seus estudos dos painéis de Távora para Aveiro, para veleidades gráficas RGB+k, dinâmicas anamórficas de base digital, e por fim, disseca as expressões técnicas de representação tridimensional física impressa.

A inauguração da galeria : studium GALERIA

O autor, o estúdio, a galeria e o tempo. O espaço físico diário sob a direção criativa do arquiteto Sérgio Miguel Magalhães, onde são expostos os projetos da série the UNBUILT. De base conceptual da casa do próprio autor, estes são momentos de pura exploração sobre os modelos de habitar vernáculos, as técnicas e pressupostos construtivos, como os argumentos de uma sustentabilidade intemporal irrefutável. 

Exposição em ambiente de trabalho desde a matéria pessoal e crítica; um exploratório real com base em especulações sobre a arquitetura vernácula e experimental.

O estúdio criativo, sediado no Porto, dedicado a desenhar o tempo e a moldar o espaço pela arquitetura, design de comunicação, design de produto e web design.
Esta abordagem multidisciplinar, crítica, permite olhar cada projeto como um todo, integrado, evoluindo assim os limites da percepção e do contexto, na diluição das barreiras e preconceitos sobre as diferentes disciplinas a que um criativo se permite explorar.
O rigor, a intensidade e a paixão, a metodologia. O sistema que confirma esta forma de estar, enquanto prova a irrefutabilidade processual pela excelência, da dedicação.
Inusitado, assentei o estúdio no centro do Porto, numa zona incontornável da cidade: o Pátio do Bolhão.

Esta seleção, permite-me viver a cidade de perto, num equilíbrio entre o tudo e o necessário.

O estúdio é um porto de interesses, de usos, uma descoberta, pela estranheza, ao renascer uma velha garagem num espaço improvável.

Desde a investigação ao resultado, e onde tudo acontece, logo ali ao lado.

comunicação : ordem dos arquitectos apresenta artigo de autor

“Desenhar por Palavras” por Sérgio Magalhães

Porto.
Candidatura Portugal . Porto 2017
Agência Europeia do Medicamento . European Medicines Agency EMA

“O Porto é mais do que um nome, mais do que um mero substantivo de uma cidade do norte de um país sul europeu. É um termo, uma designação de qualificação e singularidade, um novo adjectivo verbal.

É assim que eu vivo “o Porto”. Um desígnio vivo, superior a uma imparável renovação física de um local. É aqui que vivo, assisto e participo do florescer de novos costumes próprios, peculiares, sociais, uns locais, outros globais. Costumes não só de gente nova, ou velha, comum e incomum, mas assentes na verdadeira raiz de ser “à Porto”.

Essa raiz de onde, desde outros tempos, a boçalidade rural marcou forte a defesa de um território e onde espanhóis, franceses, ingleses e até outros portugueses nos disputaram pela razão de “ser porto”: essa raiz de ser, rude e crua. Esta arma que nunca foi uma lança e evoluiu.

O portuense, o forte, atingiu a calma que o permite ser desejado por todos, pela sorte de ser só “pelo porto”. Quem visita, seja turista, migrante ou local, é na forma como é acolhido, que se desprende de ser de onde vem para cair na paixão de ser “do Porto”.

A calma, esta nossa calma de mirante, do alto da torre, da encosta de rio ou do horizonte de mar não é causada por mais um edifício reabilitado, por mais um notável estrangeiro que visita, ou até pelas festas de todos, mas pela simples noção de renascer, de vez, mas como sempre.

Por isso, não é a reabilitação que caracteriza o Porto, é o renascimento que esta provoca desde si, em quem aqui vive e claro em quem a visita. O Porto é mais do que um porto pronto a receber, e a reabilitação urbana é em si pouco para descrever o acionamento desta cidade, destes costumes e destas gentes.

Enquanto reabilitar é material, este renascer é evoluir para a crítica do dogma na busca da próxima virtude, seja ela qual for Porto, e de partida para o futuro. Renascer como ser, como ponto notável de um território global e não mais limitados pelas encostas íngremes de outros momentos.”

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Publicação pela Ordem dos Arquitectos
Mensageiro – correio electronico semanal da OASRN
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et voilá – a (nova) cervejaria do norte

E inaugurou no dia 16 de Fevereiro a tão esperada #Fábrica de Cervejas Portuense , a mais recente indústria no centro do Porto, a casa-mãe da Nortada!

É o culminar de um projeto que envolveu valências como identidade, branding, comunicação, design de produto, arquitetura, interiores, mobiliário e web, um verdadeiro desafio que o #studium® abraçou com toda a dedicação e apostou todas as cartas, com o objetivo máximo de oferecer uma envolvente e única experiência cervejeira.

As texturas rudes, a materialidade tradicional do Porto, as cores da marca, o ambiente puramente industrial do piso -02 – que contamina todos os espaços até às águas furtadas e que ultrapassa os limites do edifício – emanam a fusão da alma portuense com um coração cervejeiro que acontece neste edifício dos finais do século XIX.

Como encerramento deste projeto tão complexo, que envolveu todos os membros da equipa e que gerou um volume imensurável de informação, o #studium® está já a partilhar uma publicação, dividida em #05 fascículos que sintetiza a multiplicidade de momentos que levam ao que podemos experienciar hoje. Tudo em versão online e em breve, impressa.

velejador e o mar

O campeonado mundial de #49er e 49er FX veio inaugurar em pleno as instalações reformuladas do Clube de Vela Atlântico. A capacidade de resposta do espaço foi levada ao extremo com uma adesão recorde de velejadores de todo o mundo ao evento, que teve lugar na Marina do Porto Atlântico de Leixões.

Staff e voluntários operaram nas áreas resevadas enquanto que o foyer e o mezanino acolheram jornalistas, participantes e visiantes, foram cenário de apresentações, reportagens e entrevistas, disponibilizaram suporte de incessantes informações e classificações, numa fervilhante apropriação do espaço que veio confirmar a capacidade de resposta das novas instalações.

De cara lavada e com uma linguagem contemporânea, o #Clube de Vela Atlântico foi o porto seguro neste campeonato de projeção internacional.

#depth #design and the #interpolation of the old #bidimensional #designer

Design as a mean to effectively communicate, should be a linear process of cumulative conceptual integration.

From the initial ideas to the deepest formal expressions in more or less fashionable graphical elements and certainly, given the author, design should evolve the existing procedural elements and trends while still following the basic principles of generic graphic communication, in order to be effective. A cumulative linear process starting with the briefing, ranging from the decisive idea, initial trial and structure, advancing vigorously to the proven concept and technical rational development, thus providing the means to materialise the desired execution.

This approach, my approach towards the profession, makes me think if we are indeed near a re evolution and critic by innovating the way we arrive at a final solution or simply delaying the advances in traditional print and digital media in order to become obsolete later in time. This also troubles me because the constraints of the designer are not formal or conceptual, they are technical! Designers don’t accept being technicians of broad communication by formation.

They reject it only to become failed artists of shape and color. We all know that a common designer lives in a chaotic search for answers, in the troubled deadlines, irreal clients and briefing requirements. A true problem solver, but with deadlines in mind. He needs help. So when will come the messias? The rational, calm, prolific and integrationist methodist adventist designer that will provide a new age in design.

 

This features are not in the designers DNA and above all they are not taught as a prerequisite in his formation. Sure there some who follow some rules, regulations, procedures and methodical approaches, but they are rarer than Krypton, and only follow their own rules. They are bonded to the flat thinking critic that structures their minds since the early formatting of the first work experiences. Designers are flat and should watch the way media is constructively evolving.

So, why graphical media is trying to leave it’s bidimensional structure for such a long time and never assumes a direct composite approach of full subject immersion in the process? And I’m not trying to confuse digital 3D immersion media with some graphical elements that are already in use. Because i am saying loud and clear to designers to get to know better your geometry bases and use perspective in the way it represents accurately some given formal concept or principle such as: depth.

This is the distance from the top or surface of something to its bottom.

The distance from the nearest to the farthest point of something or from the front to the back. It’s used to specify the distance below the top or surface of something to which someone or something percolates or at which something happens. Is the apparent existence of three dimensions in a picture, photograph, or other two-dimensional representation; perspective.

Providing:

  • complexity and profundity of thought. synonyms: profundity, deepness, wisdom, understanding, intelligence, sagacity, discernment, penetration, insight, astuteness, acumen, shrewdness;
  • complexity, intricacy;
  • extensive and detailed study or knowledge.
  • intensity of emotion, usually considered as a laudable quality.
  • intensity of color.
  • a point far below the surface.

Design needs to leave the comfort zone defined by flat bidimensional thinking. Designers need to embrace the world as we sense it. Complete and utterly material. Interpolating the codes needed to decypher communication in a real and evolved reality, approaching, at the verge of the re evolution.

the #vision of #context

Como somos, seremos e orgulhosamente ostentamos as vicissitudes de um povo feliz, desde o vigor da decadência ao ócio da fartura num ciclo antropológico eterno.

E tudo começa na demagogia. A mesma que se apregoa farta de saber que a revolução fez, faz e fará aniversários? O povo é sereno e sabe que a história está bem contada. Por isso se aceita como é. Porque havemos nós, iluminados visionários contrariar o que a maioria defecta?

Como aceito não ser esse o meu papel, aponto o dedo a quem o faz, e desafio-o a calmamente explicar isso á sua mãe, pai e outros sem por um momento se sentir frágil na defesa de um argumento que poderá ser visto como snob, elitista e acima de tudo demagogo. Depois admiram-se de dizerem que há alguns que têm a mania…

É nestas cultas linhas que revejo um arcaismo de profissão que inocente se passa viral entre gentes e cada vez menos brandos costumes. É nestas artes, as que têm palavra no território que vemos o progresso. É neste território que o romantismo se mantém num tandem de vontades entre quem pode e quem se resigna.

Acordem. Se trabalham neste território, não procurem o cliente, o projeto certo, o munícipio que financia o estapafúrdio no medo de nunca realizar o sonho de criar uma marca indelével e que figura nos livros que só parvos leêm enquanto invejam.

Tenham coragem e ajudem quem precisa a ter mais e melhor por menos e maior.

“Criado originalmente para o jornal Homeland – News from Portugal – representação portuguesa na 14ª Exposição Internacional de Arquitectura – La Biennale di Venezia 2014”.

Entre o exótico e o periférico, Portugal permanece (até para os portugueses) uma coise indecifrável. O passado mítico e o futuro opaco colidem num presente de crise e banalidades – fados trágicos, agora que a crise veio outra vez cobrar às gentes desta terra condenadas a oscilar entre o fausto e a decadência sem nunca se ter achado a medida justa entre as duas. Já nos aconteceu mais vezes ter perdido o fio da narrativa; começar coisas sem as acabar.

Na introdução da obra de referência de François Lyotard, “La condition postmoderne”, 1979, o autor afirma que a pós-modernidade é sobretudo uma atitude de desconfiança face às grandes narrativasda modernidade. Não se trata, por isso, de instituir o final de uma era e o começo de outra; trata-se antes de uma re-escrita de alguns traços reivindicados pela modernidade. A hipermodernidade(Baudrillard), a sobremodernidade (Marc Augé) ou a modernidade tardia (G.Vattimo), constituem outras tantas designações sobre as ilusões das certezas do conhecimento – conhecer para prever, como defendia Auguste Comte -, da racionalidade, da tecno-ciência, do Estado, da democracia e do capitalismo como garantia de continuidade e eficácia do progresso do progresso.

Afirmar que Portugal é pós-moderno sem ter sido moderno, equivale a três afirmações simultâneas:

  1. o carácter incipiente, descontínuo e tardio da modernização numa sociedade e num território marcados pelas assimetrias e pela hegemonia de Lisboa;
  2. a conservação de características pré-modernas;
  3. a colisão destas duas características num país a braços com a sua inscrição múltipla no quadro da União Europeia e da globalização num cenário de persistência da crise económica e do aprofundamento das desigualdades sociais e territoriais.

É Boaventura Sousa Santos um dos autores que melhor explica esta condição híbrida da portugalidade, o seu profundo exotismo como resultado de um processo de desenvolvimento semi-periférico -“… durante muitos séculos, Portugal foi simultaneamente o centro de um grande império colonial e a periferia da Europa (…) foi o único país colonizador a ser considerado por outros países colonizadores como país nativo ou selvagem ”. [1]

É esta a terra incognita que, falhada a modernização – à maneira iluminista do séc. XVIII; em forma de industrialismo no séc XIX; nos anos cinzentos da ditadura do Estado Novo, 1933-74; e durante a intensidade modernizadora do período pós adesão à União Europeia, sobretudo durante a década de 90 -, nos aparece agora com todos os seus mistérios, incompreensões e seduções. Entretanto, os portugueses emigram (as usual).

Antes, eram os tipicismos regionais longamente romanceados e ilustrados pelas suas paisagens, que forneciam um doce e tóxico veneno para ilustrar a invencível alma lusitana e os seus heróis. Invariavelmente posicionado num passado mitificado, Portugal vivia a sua fantasia nostálgica como fuga à realidade.

Agora, sem o xarope se ter esgotado, as paisagens desconstroem-se e atropelam-se nas suas próprias mitologias. Um desassossego. Se a paisagem e as suas narrativas e representações são constitutivos poderosos da identidade, que identidade se construirá então que não seja a própria sensação de estilhaçamento e de perda de identidade?

Ao cosmopolitismo moderno que tudo nivelava pela razão universal, contrapõem-se agora a modernidade radical, sem os travões que ainda há pouco tinha: o Estado cede perante “os mercados”, instância de regulação social de tudo; a ciência, cada vez mais universal, navega ao sabor dos seus sucessos tecnológicos conseguidos com dinheiro das macro-empresas globais; o indivíduo dispersa-se nas suas múltiplas referenciações e pertenças quase tribais; a democracia desfeita em éter irá para a internet… . Vivemos num presente permanente, numa cultura-mundo[2] que tudo processa entre massificações globais e localismos neo-tradicionais.

A geografia deste ataque de nervos desenrola-se entre formas espontâneas de urbanização como a Rua da Estrada, e o total abandono dos territórios deixados por processos recentes e radicais de desruralização. Com a perda do mundo rural tradicional – da agricultura familiar de autosubsistência e seus tradicionalismos -, perderam-se os jardineiros da paisagem e abriu-se uma crise de sentido e de enchimento mitológico dos campos e da vida no campo.[3] Pontualmente, na geografia diversa do país, do Vinho do Porto ao azeite ou ao leite, a nova agricultura hipermoderna e global produz paisagens tecnológicas em tudo distintas da paz que havia nos campos. Pelo meio ficam todas as combinações possíveis que nem cabem na mediatização da cidade e do urbano enquanto centro Histórico, nem no campo enquanto Aldeia Típica.

A urbanização extensiva assume formas e dimensões geográficas extremamente variadas a caminho de uma quase indiferença locativa, tanta quanta a extensão territorial dos sistemas sócio-técnicos que possibilitam a urbanização – as próteses infraestruturais que suportam a mobilidade de pessoas, bens, informação, energia, água, esgoto,… Radicalmente moderno, dir-se-ia, sem as complicações modernistas dos zonamentos e outras ilusões de ordem. As arquitecturas são as mais variadas, de múltiplo feitio e procedência transgénica. O projectista e o bricoleur podem finalmente conviver sem a desconfiança dos selvagens ou dos virtuosos.

Os habitantes deste espaço são os portugueses cada vez mais espalhados pelo mundo e, ocasionalmente, em sua terra de origem. Há 40 anos viviam em ditadura e tinham um império. Em 1974 houve uma revolução, desfez-se o império, instaurou-se a democracia e a modernização veio a galope; em pouco mais de trinta anos o país mudou mais do que em toda a sua história; agora estamos em crise numa Europa esfumaçada – pós-modernos sem ter sido modernos; europeus e periféricos; nómadas na era da globalização.

Fonte : http://www.archdaily.com.br/br/625227/pos-modernos-sem-ter-sido-modernos-alvaro-domingues

 

#alvarodomingues #arquitectura #homeland #faup #labiennale #2014