Exposição Identidade Fluxo-Tempo

Somos todos uma matéria que desconhecemos até ganharmos noção do que é o tempo.

Grande parte de nós, continua esse caminho curto e estranho sem se aperceber do denominador comum.

studium – identidade Fluxo-Tempo

Essa parca certeza de domínio de tudo faz de nós seres alheados como meras passagens, refletidas na água, no espelho, no céu, ou figuras que buscam o sossego e evitam o que lhes rouba o fôlego?

Espelho | Fotografia: Михаил Секацкий

Nunca falar do tempo fez tanto sentido – houve um tempo que nos congelou, houve uma hora que nos obrigou à introspeção, há uma energia que procura sair de todos os poros que existem na pele. Tudo é tempo, tudo é a forma distante e indefinida que se representa por um fluxo, também ele disforme, enorme, aparente e sem limite.

Moodboards studium

O Fluxo do Tempo e o Tempo vertido num Fluxo são a forma de todas as coisas – as que vemos e as que prevemos, numa dança entre a ilusão e a desilusão de pisar um chão cru, mexido, despenteado, um chão carregado de identidade studium, onde estranheza e paixão definem a forma que perde a mão e que ganha o movimento como certeza – somos todos uma matéria que conhecemos quando ganhamos noção do que é o tempo.

Catarina Rodrigues, diretora criativa studium

Monografia Narrativa do Percurso

a não-futurologia

2042 será um novo ano de reflexão, não pela subordinação ao tempo e à necessidade de eternizar ciclos, antes porque daqui a 20 anos terei uma perspectiva clara de todo o processo, e da forma como 2022 se demonstrou útil na leitura dos anteriores 20 anos. 

Monografia studium

Sob o ponto de vista ontológico, esta reflexão sobrepõe-se à existência real de um calendário; ela contempla o ser enquanto matéria real ou especulativa, tanto quanto filosofa sobre pertinências claras do status quo. É esse o conceito de ontologia aplicado a este processo, é uma constatação do que este studium será daqui em diante, sem que o medo de evolução seja um perturbado causador de desempate entre a realidade e a utopia.

Capítulo – considerações do autor

Pensar em futuro é o mesmo que pensar no presente; este instante imediato que acabou de atravessar entre os meus dedos na clara percepção de tempo, que já nem presente é, e por isso, esta não-futurologia, nunca se inibe de ser uma realidade aumentada, por mim.

Capítulo – ontologia de um método

Em 2042 seremos pessoas em perfeita capacidade de repensar toda a verdade do que vimos, de onde fomos e para onde queremos continuar. Parece eternamente distante, quando a verdade irá possivelmente provar o enlace entre a metodologia (fator de decisão) e a hipótese (fator de implementação) e ambos, agarrados a um estado de mutação, vão sempre compreender o espaço e o tempo de que tanto falamos em 2022. Todos os anos são anos de reflexão, todas as pequenas ou grandes pausas o permitem. A meditação que faz parte do trabalho, formaliza um estado consciente do status das coisas, essas mesmas coisas que sobrepostas, são a linha de tempo de tudo aquilo que sabemos ser. Que queremos pensar ser.

Catarina Rodrigues, diretora criativa studium

Tempo Paralelo

Enquanto fazemos do tempo o tema de 2022, as linhas que se cruzam, defendem cada vez mais uma visão definida pela leitura do que é ser tempo.

Inauguramos sem receio, o fluxo temporal da identidade studium através da mimetização do movimento, esse que se desloca no tempo e no espaço. Entre dedos sem mão, floresce uma nova leitura do futuro, orientada pelo presente e concluída pelo passado.

O tempo demonstra-se como o único fator comum neste discurso, ele é imaterialmente capaz de suceder entre a forma do que se constrói. Da monografia, à identidade #06, ao murall pecaminoso e virtuoso, existe a confluência da estratégia criativa, cada vez mais assente nas tendências próprias de avançar.

Porch of Caryatids, Erechtheion, Acropolis, Athens, Greece, 1955 | Fotografia: Isamu Noguchi 

Até um corredor vínico, crítico à forma como vemos a moral de hoje está a nascer, sendo uma vez mais, o tempo, o elemento comum a todos estes discursos criativos.